sexta-feira, 18 de julho de 2014

Não me diga adeus



Como se encerra um ciclo? Como se inicia outro? Dá pra saber exatamente onde acabam e onde começam os ciclo que a vida tem?


Nunca fui muito boa com isso de encerrar as coisas, aliás, não sou boa em encerrar nada! Odeio quando o livro acaba, e levo dias para ler as ultimas páginas porque sei da dor que vou sentir em não ter mais a companhia daqueles personagens ao final dele. A mesma coisa acontece com as séries de TV, eu assisto, mas sempre esperando pela próxima temporada e quando descubro que aquela temporada é a ultima, fico péssima.
Sou muito apegada. Definitivamente. Eu me apego fácil e não estou acostumada a ser deixada, então aquelas pessoas que fizeram parte de um ciclo da minha vida – ainda que seja o da mini série – não podem simplesmente me abandonar, me deixar para trás. Egoistamente, só eu é que posso fazer isso! Eu sei, não é assim.
Algumas vezes é preciso aceitar a partida, aceitar o fim, encerrar o ciclo. Mas a pergunta que fica é sempre a mesma: e se não é hora do ciclo acabar? Como eu posso saber que é o ponto final e não uma vírgula? Como saber se não haverá reticências? A realidade é que para essas questões nunca haverá resposta imediata, só o tempo responde. Aliás, coitado do tempo! É sempre ele, é culpa dele e ele é o remédio.


Infelizmente, nunca encerramos ciclos, a vida os encerra e nós só percebemos quando já estamos no meio do próximo. Por mais que queiramos por pontos finais em algumas páginas e virá-las, não somos nós que fazemos isso, não temos esse poder. Podemos apenas firmar o desejo de encerrar um ciclo que anda mal, constatar a necessidade de iniciarmos um novo ciclo, mas definir exatamente o momento em que isso acontece é algo que não nos pertence.
Ninguém joga fora um amor do peito, como se pudesse pegar com a mão e jogar no lixo. E quando esse amor resolve, por conta própria – ou por conta do coitado do tempo – ir embora dali, ainda deixa um pouquinho de saudade, um resquício de dor, sentimentos esses que também só vão embora quando querem, tem vontade própria. E assim, quando mais tarde esse turbilhão resolve passar, a gente se dá conta que já está vivendo no novo ciclo, mas quando foi que ele começou mesmo?